Agnar

Aasimar Sorcerer/Favored Soul

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Bio:

Agnar, como muitos dos acolhidos pela Ordem do Caminho Errante, nasceu numa pequena comunidade rural, mas a sua história era estranha até pelos padrões da Ordem.

A sua mãe não tinha marido ou companheiro, e afirmava nunca se ter deitado com qualquer homem. Contudo, após meses de desconfiança em que via o seu ventre crescer sem explicação, não restava outra explicação que não a gravidez.

Naturalmente que as más línguas e rumores se espalharam, como seria de esperar em tal situação, mas ninguém a confrontou ou criticou abertamente, embora ninguém acreditasse que fosse possível ela não saber quem era o pai, muito menos não existir um pai.

As coisas agravaram-se quando ela deu à luz uma criança de pele muito clara, cabelo cor de prata e olhos de um cinza metalizado, numa comunidade de pessoas de tez morena muito carregada, cabelos escuros e olhos cor de azeitona.

Alguns diziam que aquilo era obra de demónios, ou deuses maléficos, outros achavam que a rapariga tinha dormido com um dos bandidos estrangeiros que por vezes atacavam as aldeias do local, e outros tinham explicações ainda mais mirabolantes, mas nenhuma delas era no mínimo favorável.

Embora a criança tivesse um ar mais benigno do que propriamente maléfico, eram gente supersticiosa, dificilmente capaz de por a desconfiança de lado.

Quando um dia a Ordem passou pela aldeia, tinha o rapaz completado há pouco 2 anos de idade, foi uma bênção para a sua mãe, que rapidamente aceitou entregá-lo, e partiu ela própria também, em busca dum sítio em que ninguém conhecesse a sua história ou a julgasse.

Agnar adaptou-se facilmente à vida com a Ordem, mas foi difícil encontrar o seu talento. Desde cedo mostrou curiosidade pela magia, e preferia ler livros a brincar com as outras crianças ou ir caçar com os druidas.

A natureza claramente não o fascinava. Pensou-se que talvez tivesse uma queda para a carreira de feiticeiro, mas nunca dominou a estrutura mental necessária para executar mais do que um simples cantrip. Como também tinha curiosidade pela religião e as histórias dos deuses, tentaram instruí-lo no caminho de clérico, mas ele aborrecia-se com as longas rezas e devoção incondicional a um único deus. Bardo também não era o seu destino, visto não ter ouvido para a música, nem a destreza manual para dominar um instrumento.

Cada tentativa de encaminhar a Agnar esbarrava contra a sua apatia natural perante as outras pessoas. A única coisa que o parecia interessar era a leitura, e rapidamente adquiriu quase todo o conhecimento que despertava o seu interesse e que a Ordem lhe podia proporcionar.

Uma vez que estava agora prestes a celebrar o seu décimo segundo aniversário e não havia mais nada que pudessem fazer por ele, entregaram-no aos cuidados da igreja de Boccob numa das cidades por onde passaram, na esperança de que eles conseguissem descobrir o que fazer com ele, ou pelo menos aplacar a sua sede de conhecimento.

Foi lá que Agnar descobriu a verdade sobre as suas origens, ficando a saber que não era um humano mas sim um aasimar. Na Ordem evitaram dizer-lho, por não saberem o efeito que isso poderia ter nele, mas entre os adoradores de Boccob imperava a crença de que o conhecimento é a chave de todo o poder, e se alguém não se conhece a si próprio, nunca poderá concretizar as suas ambições.

Embora não lhe soubessem dizer exactamente que criatura ou divindade tinha intercedido na sua criação, saber que era descendente de seres celestiais impulsionou-o a procurar o seu destino, o seu dom, pois raramente alguém nasce com origens tão auspiciosas para depois levar uma vida corriqueira, igual à de tantos outros.

Com novo empenho e dedicação, e a ajuda dos seus novos mentores, rapidamente descobriu que o seu talento residia no domínio da magia arcana. Agnar era um mago, capaz de canalizar a energia pura que alimenta os feitiços mais poderosos.

Em relativamente pouco tempo dominava os princípios básicos da sua arte, e quando finalmente completou os 16 anos estava pronto para partir da igreja de Boccob, e conhecer, finalmente, o mundo. Vivera os primeiros anos da sua vida com a cabeça enfiada em livros, e nem se preocupara em ver o mundo ao seu redor, as dezenas de locais diferentes pela qual a Ordem tinha passado eram para ele uma incógnita, uma mancha desfocada na sua mente.

Para decidir se estava apto a aventurar-se, foi-lhe dada uma missão: recolher componentes arcanos numas grutas perto da cidade. Um teste simples, apenas para ver se conseguia por em prática os conhecimentos teóricos aprendidos nos últimos quatro anos. Para evitar que se magoasse em caso das coisas darem para o torto, contrataram um jovem guerreiro da milícia local para o acompanhar, Kell Datson. Agnar ressentiu esta imposição, pois sentia-se perfeitamente capaz de lidar com tal simples tarefa. Tinha a companhia de Ray, o seu familiar, e bastava-lhe.

O que não previa é que, por coincidência ou ironia do destino, as cavernas eram habitadas por uma família de owlbears, que regressava precisamente no momento em que eles estavam a recolher os componentes. Incapazes de lutar com todos eles, embrenharam-se pelas cavernas, onde andaram perdidos por alguns dias. Agnar, habituado a uma vida calma e confortável, rapidamente perdeu o alento, mas Kell perseverou, e acabaram por conseguir encontrar uma saída.

Regressado à igreja de Boccob, os seus mentores concordaram que ele podia partir então para conhecer o mundo, sob a condição de se fazer acompanhar por Kell. Como este também há muito que ansiava por partir à aventura, e Agnar acabara por dar-lhe o valor merecido e considerá-lo um amigo, concordaram, e poucos dias depois partiram rumo ao Condado das Nuvens, terra recentemente colonizada, propensa a aventuras.

Agnar tem alinhamento neutro.

É uma pessoa curiosa, que gosta de se instruir, especialmente através da leitura. Os seus conhecimentos incidem sobretudo sobre a magia e a religião.

É sensato e calmo, gosta de pesar os prós e contras antes de tomar uma decisão, e consegue manter a calma em situações difíceis, embora também não seja do tipo de lutar até à última consequência.

Embora tenha um certo carisma e charme natural, nunca desenvolveu a comunicação com as outras pessoas. Ao princípio tinha dificuldade em sentir empatia pela condição dos outros, e em perceber o que os move, mas ao longo das suas aventuras foi aprendendo a relacionar-se verdadeiramente com o que os rodeiam e acaba por se preocupar genuinamente com o seu bem estar.

Agnar

As Cronicas do Condado das Nuvens TheDungeoneer